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' Pode ser que eu não saiba transparecer com gestos tudo aquilo que eu digo. Não, eu não sou boa quando se trata de construções de cenários. O meu personagem é sempre o mesmo e sem olhar para o resto da equipe, eu sigo sozinha pela rua vazia, pisando sobre as folhas caídas, dizendo para o silêncio que eu fiz o possível. Estaria na hora de aprender a diferenciar dizer de fazer? Eu sou boa com as palavras, íntimas que somos, escolho cada uma com a certeza de que as mesmas podem representar tudo o que sou e que sinto com a mesma intensidade dos actos que eu não sei tomar. E se eu já disse tudo, o que é preciso fazer? Sempre pensei que nada... É, sem dúvida, medo de parecer ridícula, medo de aceitar outro papel, de simplesmente não saber como transformar as palavras em atitudes. E assim, eu prefiro fingir que não me importo. E sinceramente, não acho que eu consiga convencer nesse papel... Estou indo, sim, contra aquilo que acredito, afinal, as palavras são óptimas, mas podem ser rapidamente esquecidas. E que atitudes eu tomei para ser lembrada? Eu falei, e falei e falei... e fui esquecida como aquela que não fez. Contraditória, intensa, dona de uma certeza que não me serve mais, eu joguei as cartas no chão. É preciso reaprender o jogo e eu não entendo direito as regras. Eu não nasci para jogar, nasci para sentir. E sinto até mesmo o que não foi dito. Eu posso ler o seu olhar e dizer com os olhos. E seguir olhando para frente como se nada importasse. Orgulhosa? Burra, creio eu. Medrosa, facto. Mas transparente, sempre. Podem ser esquecidas, mas vêm de dentro da alma e eu não abro a boca para proferir palavras que soem bem em conjunto. O conjunto do que eu digo é muito mais intenso e sincero. Só entende o recado quem está aberto para interpretações... e isso, eu sei que você sabe fazer tão bem quanto eu. Talvez, mais do que semelhantes, sejamos dois loucos. Intérpretes tão capazes que se encontram perdidos... a imaginação é terra sem limite e quem sabe não tenha chegado o momento de certezas. Exactamente aquilo que não sabemos. Até aqui a única certeza é o orgulho de dois corpos tolos que se desejam mais não se encontram por... orgulho em caminhar não para lados opostos, mas para si mesmos com a vontade que não precisa ser dita, muito menos exposta. Ela apenas existe e dentre tantos erros e desencontros, é a única coisa que pode ser notada por qualquer um a quilómetros de distância. Não, "vidinha-quase-perfeita", não ensaie um sorriso sarcástico de vencedor, muito menos traduza essas palavras como uma assumida derrota. Eu ainda tenho medo. E como de costume, estou apenas dizendo que eu sinto. E como você bem sabe, eu não fazer o que deve (ou não) ser feito. A mesa está vazia, quem sabe não sejam estes, tempos de mudanças. Você provoca essa vontade em mim... mas por enquanto é apenas mais um script em construção. Muitas linhas serão apagadas e reescritas até que o coração exploda em gritos que qualquer principiante pode compreender: Acção! '
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